O MEL DO ROCK

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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

BRUCE DICKINSON: “PREFIRO ERRAR UMA MÚSICA DO QUE USAR MONITORES PARA LER AS LETRAS”.

Fonte: Rock Radio

O website “Rock Radio” produziu uma matéria que conta com depoimentos exclusivos de Bruce Dickinson, que fala, dentre outros assuntos, que não gosta de usar monitores com as letras das músicas.

Confira a matéria completa, em português, no Imprensa Rocker!

O vocalista do Iron Maiden, Bruce Dickinson, prefere errar uma música do que usar monitores com as letras – por causa do orgulho próprio e pelo bem da performance. Ele diz que é impossível cantar uma música com a interpretação necessária se você está lendo as letras, ao invés de imaginar a estória. E o fato de ainda ser perguntado se ele esquece as letras significa que sua abordagem funciona.

Em declaração à revista do fã clube do Iron Maiden, Dickinson falou: “Eu lido com isto muito bem – se eu esquecer as letras de uma forma espetacular, estará tudo no ‘Youtube’”. “Geralmente me dá um branco por causa de alguma distração. Se acontece algum problema no equipamento, então eu fico, ‘merda, qual é o primeiro verso da segunda estrofe?’, o que, é claro, coloca uma certa pressão que só piora as coisas”.

“Mas eu acho que os monitores com letras são um saco. Eu sei que temos muitas palavras nas nossas canções, mas é uma questão de orgulho pessoal e profissional. Também, eu não consigo interpretar uma canção se estiver lendo as letras numa tela de TV. Tem que estar em minha cabeça, para eu poder ver as imagens em minha frente, e para que eu possa ter uma performance condizente com a música”.

Dickinson insiste que conhece sua voz o suficientemente bem para saber o que pode aguentar durante um show, e que estão errados todos que acham que sua performance no estúdio é pior.

“Nenhuma das canções são um problema para cantar. Apenas depende de onde elas estão no repertório. Então, ‘Hallowed Be Thy Name’ é difícil, porque está bem no final do repertório, quando eu já estou desgastado. O refrão de ‘El Dorado’ é um pouco desafiador, mas como é a quarta canção da noite, eu canto ela tranqüilo – minha voz está aquecida e ainda há muito combustível no tanque para alcançar as notas altas”.

“Eu acho que algumas pessoas têm se surpreendido com o quão boas as músicas soam ao vivo. Às vezes as pessoas pensam que minha voz soa esganiçada em certas partes do álbum, mas isto é besteira. As mesmas pessoas dizem que soa ótimo ao vivo”.

Recentemente Dickinson assumiu um novo cargo, como Chefe de Marketing da “Astreus Airlines”, a companhia em que trabalha como piloto comercial. Eles está trabalhando num filme e numa peça teatral, ambas baseadas na 2ª Guerra Mundial, e espera voltar à carreira de radialista, que foi interrompida quando a BBC 6 cancelou seu programa.

“Há algumas possibilidades; talvez algumas coisas em estilo documentário, o que é ótimo, porque me dá a chance de ser criativo e contar histórias ao invés de ser apenas um DJ”.

MICHAEL KENNEY: O TECLADISTA POR TRÁS DO IRON MAIDEN

Fonte: Keyboard Magazine

A revista “Keyboard” conduziu um interessante entrevista com Michael Kenney, o homem responsável pelos baixos de Steve Harris e, ao vivo, pelos teclados do Iron Maiden – além de ter participações em álbuns também. Na entrevista, Kenney fala sobre influências, Maiden e muito mais.

Confira a entrevista abaixo, na íntegra e em português!

Se você não conhece o nome Michael Kenney, você não está só. Entretanto, se você já viu a lendária banda de Heavy Metal, Iron Maiden, em qualquer show desde o início dos anos 80, você provavelmente já escutou e até viu Kenney, às vezes conhecido como “O Conde”. Ele tem sido o responsável pelos teclados nos álbuns multiplatinados da banda e freqüentemente toca nas turnês mundiais.

A revista “Keyboard” se encontrou com Kenney em São Bernardino, Califórnia, onde eles prestes a encarar uma rebelde platéia Metal. Ele nos contou o que “heavy” costumava significar e o porquê de, definitivamente, tudo se resume a fazer o trabalho, e fazer bem feito.

Como foram suas experiências enquanto estava crescendo?
Comecei tocando trompete aos sete anos, tentando chegar na Califórnia Junior Honor Band, e brincava com o ukulele de meu tio. Ganhei uma guitarra no meu 11º aniversário e no ano seguinte estava numa banda. Aos 13 anos, mudei para o baixo para tocar com o incrível cantor e organista Freddie O’Quinn. Ele tinha um Farfisa (Nota do Tradutor: empresa italiana de eletrônicos, normalmente associada a compactos órgãos eletrônicos e sintetizadores multi-timbres), então aprendi o básico. Então ele comprou um Hammond B-3 com duas caixas Leslie. Eu fui fisgado! A loja de instrumentos musicais local me emprestou, então, o novíssimo Minimoog por uma noite e eu fiquei acordado a noite toda lendo o manual do início ao fim. Para resumir, este foi o meu começo.

Quais bandas te inspiraram a tocar teclado e a curtir Rock?
Freddie costumava deixar a velha radiola ligada com o “lado a” do “Organ Grinder Swing”, de Jimmy Smith, tocando a noite toda. Maravilhoso! Mark Stein com o Vanilla Fudge, Bill Champlin, Stephen Miller no Lynn County, e Lee Michaels tocando seu Hammond com um Leslie ligado em nove amplificadores Acoustic 360. Era um trovão! Eu tive muita sorte em tocar num show local em Sacramento, onde todas as bandas de São Francisco e todos os caras do Fillmore tocaram. Eu pude ver os melhores do começo, e é claro, pude conhecê-los. Steve Winwood foi uma grande inspiração com aquele Hammond em “Gimme Some Lovin’” e nas outras. Ele foi a primeira pessoa que vi tocando tudo sozinho. Eu me considero um homem de utilidades. Com relação a sintetizadores e apenas bons tecladistas, Jan Hammer e David Sancious são importantes para mim.

Quais discos de Rock te influenciou? Qual foi o primeiro disco de uma banda pesada?
Considero Paul Revere and The Raiders a primeira banda pesada que tocava Rock baseado em riffs. Eu acho que é criminoso o “The Kingsmen” receber o crédito por “Louie Louie”, porque pelo que eu saiba é uma música dos Raiders, com a versão do Kingsmen sendo uma imitação sem graça. Foi a primeira música que peguei na guitarra. Claro, quando os Beatles apareceram, o jogo mudou, embora eu tenho passado rapidamente para o que eu achava ser as bandas mais pesadas. Eu era um grande fã dos Stones, particularmente Brian Jones, que para mim é o conceito original de multi-instrumentista, aparentemente tocando qualquer coisa que caísse em suas mãos, e com um senso de visual muito legal. Ele foi meu herói por um tempo. Não posso deixar de mencionar os Animals, Hollies, Kinks… Tanta coisa boa. Então eu escutei Jeff Beck com os Yardbirds e minha vida mudou. Eu escutei a todas as bandas dos anos 60 e 70 que tinham um Hammond: Vanilla Fudge, Deep Purple, Procol Harum (não só “Whiter Shade of Pale”, mas outros materiais mais dramáticos), The Rascals, Small Faces… Me interessava particularmente por guitarristas que tocavam órgão, como Stephen Stills, Joe Walsh e Mark Fenner. O primeiro álbum de Jan Hammer e Jerry Goodman, “Like Children”, foi uma revelação para mim. Eu tinha que ter um minimoog após ouví-lo. Eu o tocava com um instrumento de baixo numa banda que participei. Os dois primeiros álbuns de David Sancious – “Forest of Feelings” e “Transformation” – e sua participação no “Garden of lovelight”, de Narada Michael Walden, é impressionante!

Quais teclados você tinha enquanto estava crescendo? Qual o primeiro teclado que você comprou?
Nós tínhamos um velho piano vertical na sala quando eu era adolescente. Uma tia me deu um órgão Lowrey com uma pequena caixa Leslie e eu tive minha primeira e única banda orientada para o teclado, compondo minhas canções. O Minimoog foi meu primeiro sintetizador, então comprei meu primeiro Hammond, um modelo A 1936. Ainda o tenho. É uma ótima máquina. Então fui passando para os sintetizadores Korg ao longo dos anos, do Polysix pra frente. Ainda os uso. Tenho seis Hammond agora. Nem todos são Hammond B3. Finalmente comprei um B3 apropriado, para poder dizer, “sim, eu tenho um B3!”, junto com um A, um BC, um CV, um D e um X77.

Qual sua histórico de gravações com o Iron Maiden?
Como músico, o Maiden foi minha primeira e única situação de gravar com uma banda grande. Steve Harris sabe bem o que quer, então era apenas meu trabalho tocar. Toquei em alguns álbuns – “No Prayer for The Dying”, “Fear of The Dark”, “X Factor”, e alguma coisa no “Virtual XI. Ao longo do tempo, Steve foi ficando mais confortável com as teclas e passou a tocar na maioria das vezes. Eu ainda fico por perto para ajudar e sou o responsável por tudo ao vivo.

Você também é o técnico de baixo de Steve Harris.
Este é meu trabalho principal. No “Somewhere in Time” eles passaram a usar guitarras e baixos sintetizados, e eu ajudei na programação. No “Seventh Son…” eles usaram teclados sintetizados e alguns brinquedos de estúdio, e precisaram que alguém os tocasse ao vivo. Como eu tinha experiência com teclados e o equipamento de Steve precisa de pouquíssima manutenção durante os shows, ele me convidou a fazer, mas só se fosse como “O Conde” (Nota do Tradutor: Tradução para “The Count”), meu apelido na época, por causa de minha vida noturna, sobretudo preto e meus cálices de conhaque. Após aquela turnê, na qual eu tocava fantasiado num elevadiço a 20 pés de altura, deixei os trajes do Conde e passei a tocar atrás do palco. Nas canções dos álbuns mais recentes, pode haver muito teclado; quando fazemos material antigo, não há muito o que fazer. O equipamento de baixo, na verdade, tem prioridade sobre os teclados: se algo está errado, eu tomo conta, mesmo que isto signifique não tocar o teclado. O equipamento é bem fácil de lidar. Eu deixo peças sobressalentes já prontas, então qualquer mudança pode ser feita rapidamente e eu não tenho que perder muitas partes no teclado.

O Iron Maiden teve algum tecladista ou tecladistas em seus discos antes de você?
Não nos discos. Eles tiveram um ao vivo por um tempo no início da banda, Tony Moore. Algumas das coisas mais elaboradas nos recentes álbuns têm sido terceirizadas para um amigo do produtor Kevin Shirley, chamado Jeff Bova, que faz um trabalho incrível em criar as visões das orquestras de Steve. É um trabalho interessante traduzir isto para algo que eu possa tocar ao vivo, em tempo real, com duas mãos.

Como você aborda a adição de teclados em canções que não tinham o instrumento no disco? A banda te dá instruções específicas ou você basicamente toca o que quer?
Só adiciono teclados em canções que originalmente não têm, quando me pedem. Bruce quis um tratamento de coral para simular algo que ele fez no estúdio em “Powerslave”. Steve vem com uma idéia de vez em quando, e muitas das partes de sintetizadores são para reforçar as guitarras sintetizadas que Adrian usou. Na verdade, estas são as mais divertidas para mim, porque às vezes ele toca a parte para mim e eu crio o que acha que funciona melhor. Estou tendo mais liberdade com relação a trabalhar no material novo para fazer ao vivo.

Como você escolhe os teclados na sua configuração atual de palco? Como eles têm se saído e como você os modificou ou modifico seus sons?
Sempre fui um cara da Korg. Uso o material deles há muito tempo, antes porque eles eram muito mais acessíveis do que as “grandes marcas”, mas agora eu apenas acho que eles soam ótimo e estou confortável com a forma como eles que fazem as coisas. O O1w se estabeleceu como meu sintetizador principal. Há certos sons nele que nós consideramos ser marcas registradas do Maiden. Steve chama estes sons por nome. Não acho que eu esteja fazendo nada de especial com eles, apenas ajustando para que sejam apropriados para o que precisamos. Eu tenho um encaixe de Hammond no O1 no qual me deixa particularmente orgulhoso, mas só tive a oportunidade de usá-lo uma vez, em “Afraid To Shoot Strangers”, do álbum “Fear of The Dark”. Ao longo do tempo, nós o trocamos por novos modelos. Também uso um Triton Extreme. Os sintetizadores mais novos têm maior taxa de bits e mais fidelidade, o que é ótimo para sutís orquestrações, mas eu ainda gosto da gordura do material “old school”.

Quais conselhos você daria para os leitores – tanto musicalmente quanto para a carreira – que desejam desenvolver seus talentos e se tornarem tecladistas bem sucedidos?
Há tanta informação, e o nível é muito alto. Quer dizer, há garotos por aí que estão a anos luz de qualquer coisa que eu sequer tenha concebido ser possível. Mas não há como substituir o trabalho árduo para atingir um grande conhecimento. Não há shows em seu quarto e a maioria das pessoas não se importam com o quão rápido você toca. Música para mim é sentimento e como você pode fazer os outros sentirem, e a nota certa tocada da forma certa pode falar mais lato do que uma agitação de esplendor trimodal.

Qual foi a pior coisa que já aconteceu numa turnê e como você lidou com isto?
Na época do “Seventh Son…” eu usava um set de samples de coral Emulator 3 para o meio da canção título do álbum. Numa tarde antes do show, eu o liguei e o display começou a mostrar algum tipo de hieróglifo. Fazer a manutenção de um E3 ou até substituí-lo em poucas horas, em Iowa, é improvável, então peguei o telefone e encontrei um centro de guitarras em Chicago. Eles correram para o aeroporto e enviaram o E3 rapidamente. Ele chegou durante o show e eu tive que carregar um disquete em rapidamente. Incrivelmente, foi literalmente em cima do tempo, e tudo saiu como deveria. Eu acho que provavelmente danifiquei alguns neurônios no processo. Eu aprecio o fato de que nem todo mundo está na posição de gastar tanto dinheiro para resolver um problema, e a E-mu (N.T.: empresa que desenvolve produtos de áudio) veio ao resgate bem rápido.

Na mesma época, no já anteriormente mencionado elevadiço de 20 pés de altura, que era basicamente uma empilhadeira suportando o peso máximo, eu achei que era melhor eu ficar no meio para preservar seu centro de gravidade. Numa noite estava me sentindo mais confortável e dei um passo para a direita, e a coisa toda oscilou alguns centímetros. Eu tinha teclados nos meus dois lados, e a próxima coisa que toquei foi um som bem alto, um acorde bem Jazz (N.T.: Kenney quer dizer que foi um som bem dissonante). Tive que checar minhas calças depois desta!

Além deste tipo de coisa, em algumas ocasiões, o rigor das turnês cobrará seu preço num sintetizador, mas é para isto que temos peças sobressalentes, e felizmente eu trabalho com uma grande equipe que já me ajudou a trocar um teclado durante uma canção.

Você tem algum conselho para sobreviver a turnês?
A coisa mais importante é se dar bem com as pessoas com quem você trabalha. Todos somos competentes no que fazemos ou não estaríamos aqui. O aspecto pessoal é muito importante. Eu sei que é um clichê, mas no nosso caso é como ser casado com 50 pessoas. É um estilo de vida e uma grande parte do trabalho. Eu escolhi não beber nesta última turnê, o que pode tirar um pouco da diversão, mas não estar de ressaco ajuda muito.

Como é o relacionamento pessoal e profissional entre você e a banda?
Nos damos muito bem. For a dos estúdios, não os encontro muito, exceto quando eles estão no palco. Nestas turnês com o avião, temos ficado no mesmo hotel muitas vezes, então sem dúvidas nos batemos no bar do hotel ou no pub irlandês mais próximo. Claro, eles são as estrelas, e há questões de segurança e protocolos com que lidar, mas normalmente somos apenas um grupo de caras numa jornada em comum, cada um com seu trabalho para fazer.

SIMMONS: "FALTA CORAGEM PARA PROCESSAR QUEM FAZ DOWNLOADS!"

Fonte: News Music Express

O baixista/vocalista do Kiss, Gene Simmons, continua sua cruzada contra os usuários da internet que compartilham músicas. Após participar do Mipcom, evento relacionado a conteúdos multimídia, em Cannes, França, o músico voltou a vociferar contra quem faz downloads sem pagar pelas músicas.

Simmons criticou a indústria fonográfica por não agir rapidamente para evitar o compartilhamento de arquivos e defendeu punições severas a quem fizer downloads. “Certifique-se de que sua marca está protegida. Certifique-se de que não há vazamentos. Seja litigioso. Processe todos. Tome as suas casas, seus carros. Não deixe ninguém passar do limite”, bradou.

"A indústria da música está dormindo ao volante", continou ele. "[Eles] não tiveram a coragem de processar cada pessoa, cada garoto sardento de faculdade que fazia download de material. E agora temos milhares de desempregados. Não há mais indústria [fonográfica]”, encerrou.

O áudio completo com a fala de Simmons (em inglês) pode ser visto no link abaixo.

TONNY IOMMI: "ESTOU ESCREVENDO UM MONTE DE RIFFS!"

Fonte:Blabbermouth

O guitarrista Tony Iommi (BLACK SABBATH/HEAVEN & HELL) revelou à revista britânica Metal Hammer que ele começou a trabalhar em material novo com esperança de lançar a fase seguinte de sua carreira ao lado do colega de SABBATH de longa data, o baixista Geezer Butler.

Se isto será ou não parte de uma reunião do Black Sabbath ou um projeto novo permanece obscuro presentemente, mas Iommi disse, "O que eu estou fazendo agora é escrever. Eu enlouqueci, estou escrevendo um monte de riffs novamente. Estou apreciando realmente, colocando o material em ordem. Nós faremos algo. Tenho falado muito com o Geezer agora e nós temos falado sobre o que a próxima fase será. Será demais sair outra vez e fazer alguma coisa. Eu não digo isso normalmente, mas tem algumas grandes idéias saindo. É tudo que eu tenho que fazer agora. Sentar e escrever riffs!"

No início do mês Iommi e o cantor do Deep Purple Ian Gillan entraram novamente em estúdio, reunidos pelo tecladista Jon Lord (DEEP PURPLE, WHITESNAKE) e pelo baterista Nicko McBrain (IRON MAIDEN) para gravar uma música nova, "Out Of My Mind", para levantar fundos para reconstruir uma escola de música na Armênia.

Os membros restantes do HEAVEN & HELL, Iommi, Butler e Vinny Appice, tocaram em um tributo muito especial ao seu falecido colega, Ronnie James Dio, no dia 24 de julho no festival High Voltage no parque Victoria em Londres, Inglaterra. Os músicos foram reunidos pelo lendário Glenn Hughes (DEEP PURPLE, BLACK SABBATH) e o vocalista norueguês Jorn Lande, que canta no MASTERPLAN e recentemente lançou seu próprio tributo a Ronnie.

ROCK AID ARMENIA: COM MCBRAIN, IOMMI, GILLAN E LORD

Fonte: Blog Flight 666

Nicko Mcbrain, Tony Iommi, Ian Gillan e Jon Lord se reuniram durante a semana para gravar a música "Out Of My Mind" em uma reedição do projeto beneficente "Rock Aid Armenia" que reuniu diversos músicos em 1988 para ajudar as vítimas terremoto Leninakan.

Em outubro do ano passado, Tony Iommi e Ian Gillan viajaram para a Armênia para ver como o dinheiro arrecadado havia ajudado a comunidade local. Durante a viagem, eles visitaram uma escola de música e descobriram que ela está funcionando numa acomodação temporária, e que sua sede permanente ainda não foi reconstruída, mesmo 20 anos após o terremoto.

Assim, os músicos resolveram voltar ao estúdio, desta vez, com as ilustres presenças de Jon Lord (Deep Purple / Whitesnake) e de Nicko McBrain, baterista do Iron Maiden, para gravar uma nova música e assim, arrecadar mais dinheiro para a escola de música em questão.

O guitarrista Tony Iommi comentou as gravações: "Eu tive um grandioso momento no estúdio ontem com Ian Gillan, Nicko McBrain e Jon Lord. Tivemos um momento brilhante em conjunto gravando a faixa "Out of My Mind" e foi muito divertido fazê-lo, muitas piadas e brincadeiras! Como todos esperavam, tocamos muito bem. Que momento emocionante! "

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

BLACK SABBATH: "THE OZZY YEARS: COMPLETE ALBUNS BOX SET"

Postado por Ricardo Seelig
Fonte: Collector´s Room

Mais novidades para os fãs do Black Sabbath. Chegará às lojas dia 22 de novembro o box "The Ozzy Years: Complete Albums Box Set". A caixa terá formato de cruz e trará os oito álbuns gravados por Ozzy Osbourne com o grupo – "Black Sabbath" (1970), "Paranoid" (1970), "Master of Reality" (1971), "Vol 4" (1972), "Sabbath Bloody Sabbath" (1973), "Sabotage" (1975), "Technical Ecstasy" (1976) e "Never Say Die!" (1978) – mais a coletânea "We Sold Our Soul to Rock'n'Roll", lançada originalmente em 1975.

Todos os nove discos foram remasterizados e são em formato mini LP, e a caixa contará ainda com um livro de cem páginas com a discografia comentada da banda, um conjunto de palhetas e o áudio de três entrevistas do grupo para emissoras de rádio.

Se você é fã do Black Sabbath, prepare o bolso!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

HEAVY METAL

O heavy metal (muitas vezes referido apenas como metal)é um gênero do rock que se desenvolveu no final da década de 1960 e no início da década de 1970, em grande parte, no Reino Unido e nos Estados Unidos. Tendo como raízes o blues-rock e o rock psicodélico, as bandas que criaram o gênero desenvolveram um espesso, maciço som, caracterizada por altas distorções amplificadas, prolongados solos de guitarra e batidas enfáticas. O Allmusic afirma que "de todos os formatos do rock 'n' roll, o heavy metal é a forma mais extrema, em termos de volume, machismo, e teatralidade".

As primeiras bandas de heavy metal como UFO, Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple atraíam grandes audiências, um atributo comum em toda a história do gênero. Em meados da década de 1970, o Judas Priest ajudou a impulsionar a evolução do gênero suprimindo muito da influência do blues presente na primeira geração do metal britânico; o Motörhead introduziu agressividade e fúria nos vocais, influência do punk rock, e uma crescente ênfase na velocidade. Bandas do "New Wave of British Heavy Metal" como Iron Maiden seguiram a mesma linha. Antes do final da década, o heavy metal tinha atraído uma sequência de fãs no mundo inteiro conhecido como "metalheads" ou "headbangers" e também como "metaleiros", embora dentro do universo ou subcultura do heavy metal o termo seja considerado bastante pejorativo e repudiado pela maioria dos apreciadores do gênero.

Na década de 1980, o glam metal se tornou uma grande força comercial com grupos como Mötley Crüe. O Underground produziu uma série de cenas mais extremas e estilos agressivos: o thrash metal invadiu o cenário com bandas como Anthrax, Megadeth, Metallica e Slayer, enquanto outros estilos como o death metal e o black metal permaneceram como fenômenos da subcultura do metal. Desde meados da década de 1990, populares estilos como alternative metal e suas vertentes mais famosas: industrial metal, rap metal e nu metal, muitas vezes incorporam elementos do hip hop e funk. Já o metalcore, que combina hardcore punk com metal extremo, tem alargado ainda mais a definição do gênero.

CARACTERÍSTICAS

O heavy metal se caracteriza tradicionalmente por guitarras altas e distorcidas, ritmos enfáticos, um som de baixo-e-bateria denso e vocais vigorosos. Os subgêneros do metal tradicionalmente enfatizam, alteram ou omitem um ou mais destes atributos. Segundo o crítico do New York Times Jon Pareles, "na taxonomia da música popular, o heavy metal é a principal subespécie do hard rock - o tipo com menos síncope, menos blues, com mais ênfase no espetáculo e mais força bruta." A típica formação da banda inclui um baterista, um baixista, um guitarrista base, um guitarrista solo e um cantor, que pode ou não também tocar algum dos instrumentos. Teclados são por vezes usados para enriquecer o corpo do som; as primeiras bandas de heavy metal costumavam usar um órgão Hammond, enquanto sintetizadores se tornaram mais comuns posteriormente.

A guitarra elétrica e o poder sônico que ela projeta através dos amplificadores foi, historicamente, o elemento chave do heavy metal. As guitarras frequentemente são tocadas com pedais de distorção, por meio de amplificadores de tubo com bastante overdrive, criando um som espesso, poderoso e "pesado". Um elemento central do heavy metal é o solo de guitarra, uma forma de cadenza. À medida que o gênero se desenvolveu, solos e riffs mais sofisticados e complexos tornaram-se parte integral do estilo. Guitarristas usam técnicas como sweep-picking e tapping para tocar com mais velocidade, e diversos estilos do metal enfatizam demonstrações de virtuosismo. Algumas bandas influentes do gênero, como Judas Priest e Iron Maiden, têm dois ou até mesmo três guitarristas que partilham tanto a guitarra base quanto a solo. Uma característica importante é o uso de escalas pentatônicas, exemplificado em bandas como Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath.

O papel principal da guitarra no heavy metal frequentemente colide com o papel tradicional de líder da banda (bandleader) do vocalista, o que cria uma tensão musical à medida que os dois "disputam pela dominância" num espírito de "rivalidade afetuosa". O heavy metal "exige a subordinação da voz" ao som geral da banda. Refletindo as raízes do metal na contracultura da década de 1960, uma "demonstração explícita de emoção" é exigida dos vocais, como sinal de autenticidade. O crítico Simon Frith alega que o "tom de voz" do cantor do metal é mais importante do que as letras. Os vocais do metal variam enormemente de acordo com o estilo, do enfoque teatral, abrangendo múltiplas oitavas, de Rob Halford, do Judas Priest, e Bruce Dickinson, do Iron Maiden, até o estilo rouco de Lemmy, do Motörhead, e James Hetfield, do Metallica, chegando até ao urro gutural de diversos vocalistas de death metal.

O papel de relevo do baixo também é crucial para o som do metal, e o intercâmbio entre o baixo e a guitarra formam um elemento central do estilo. O baixo fornece o som grave necessário para tornar a música "pesada". As linhas de baixo do metal variam enormemente em termos de complexidade, desde a manutenção de um simples ponto pedal grave até servir como "alicerce" para os guitarristas, dobrando riffs e licks complexos juntamente com as guitarras base e/ou ritmo. Algumas bandas contam com o baixo como um instrumento solo, um enfoque popularizado pelo baixista Cliff Burton, do Metallica, no início da década de 1980.

A essência da bateria do metal consiste em criar uma batida alta e constante para a banda, usando a "trifeta da velocidade, força e precisão". A bateria do metal "requer uma quantidade excepcional de resistência", e os bateristas do estilo têm de desenvolver "destreza, coordenação e velocidade consideráveis para tocar os padrões complexos" utilizados no metal. Uma técnica característica da bateria do metal é o abafamento do prato, que consiste na percussão de um prato seguida pelo seu silenciamento imediato, através do uso da outra mão (ou, em alguns casos, da própria mão que o percutiu), produzindo uma curta emissão sonora. O setup da bateria do metal geralmente é muito maior do que o que é utilizado em outras formas de rock.

Nas performances ao vivo o volume - "um ataque sonoro", na descrição do sociólogo Deena Weinstein - é considerado vital. Em seu livro Metalheads, o psicólogo Jeffrey Arnett se refere aos shows de heavy metal como "o equivalente sensorial da guerra." Logo após os primeiros passos dados por Jimi Hendrix, Cream e The Who, as primeiras bandas de heavy metal, como Blue Cheer, estabeleceram novos marcos em termos de volume. Segundo o próprio vocalista do Blue Cheer, Dickie Peterson, "tudo o que sabíamos é que queríamos mais força." Uma crítica de um show do Motörhead de 1977 registrou como "o volume excessivo figura com destaque particular no impacto da banda." Segundo Weinstein, da mesma maneira que a melodia é o principal elemento da música pop e o ritmo é o principal foco da house music, som, timbre e volume poderosos são os elementos-chave do metal; o volume excessivo teria como intenção "varrer o ouvinte para dentro do som", fornecendo-lhe uma "dose de vitalidade jovial". A fixação do heavy metal com o volume foi satirizada no documentário de comédia This Is Spinal Tap, no qual um guitarrista de metal alega ter modificado seus amplificadores para "irem até o onze".

LINGUAGEM MUSICAL

RITMO E TEMPO

O ritmo nas canções de metal é enfático, com acentuações intencionais. A ampla gama de efeitos sonoros disponíveis para os bateristas do metal permite que os padrões rítmicos utilizados assumam grande complexidade e mantenham a sua insistência e potência elementares. Em boa parte das canções do estilo a levada principal caracteriza-se por figuras rítmicas curtas, de duas ou três notas - geralmente compostas de colcheias ou semicolcheias. Estas figuras rítmicas costumam ser executadas com ataques em staccato, criados através da técnica conhecida como palm muting, na guitarra base.

Células rítmicas breves, abruptas e independentes são juntadas a frases rítmicas com uma textura distinta, frequentemente irregular. Estas frases são utilizadas para criar um acompanhamento rítmico e figuras melódicas chamadas de riffs, que ajudam a criar ganchos temáticos. As canções de heavy metal também usam figuras rítmicas mais longas, como acordes, semibreves ou com a duração de uma semínima nas chamadas power ballads mais lentas. O tempo no heavy metal mais antigo tinha a tendência a ser "lento, até mesmo ponderoso." No fim da década de 1970, no entanto, as bandas de metal empregavam uma ampla variedade de andamentos. Na década de 2000, os andamentos do metal variam de baladas lentas (semínima = cerca de 60 batidas por minuto) até andamentos blast beat extremante rápidos (semínima = 350 batidas por minuto).

HARMONIA

Uma das marcas registradas do estilo é uma forma de acorde tocada na guitarra, e conhecida como power chord. Em termos técnicos, o power chord é relativamente simples: envolve apenas um único intervalo principal, geralmente a quinta perfeita, embora uma oitava possa ser acrescentada para dobrar a raiz. Embora o intervalo da quinta perfeita seja a base mais comum para o power chord, estes acordes também podem ser baseados em intervalos diferentes, como a terça menor, a terça maior, a quarta perfeita, a quinta diminuta ou a sexta menor. A maior parte dos power chords também é tocada com base numa disposição dos dedos que pode ser facilmente deslocada por todo a extensão do braço.

TÍPICAS ESTRUTURAS HARMÔNICAS

O heavy metal costuma estar fundamentado em riffs criados com os três principais traços harmônicos: escalas em progressões modais, trítonos e progressões cromáticas, além do uso de pontos pedais. O heavy metal tradicional tende a empregar escalas modais, em especial os modos frígio e eólio. Harmonicamente, isto significa que o estilo costuma incorporar progressões de acordes modais, como as progressões eólias I-VI-VII, I-VII-(VI) ou I-VI-IV-VII e as progressões frígias que implicam a relação entre I e ♭II (I-♭II-I, I-♭II-III, ou I-♭II-VII, por exemplo). Relações cromáticas ou de trítonos, de sonoridade tensa, são usadas em diversas progressões de acordes do metal.[32][33] O trítono, um intervalo musical que abrange três tons inteiros - como dó e fá sustenido — era uma dissonância proibida no canto eclesiástico medieval, que fez com que os monges o chamassem de diabolus in música—"o diabo na música", em latim. Devido a esta associação simbólica original, o intervalo passou a ser visto na convenção cultural do Ocidente como "mau". O heavy metal usou extensivamente o trítono em seus solos e riffs de guitarra, dos quais um dos exemplos mais notórios é o início da canção "Black Sabbath", da banda homônima.

As canções de gênero fazem uso frequente do ponto pedal como base harmônica. Um ponto pedal é um tom que é sustentado, tipicamente por um instrumento grave, durante o qual pelo menos uma harmonia "estranha" (ou seja, dissonante) é tocada pelos outros instrumentos.

RELAÇÃO COM A MÚSICA CLÁSSICA

Para o musicólogo Robert Walser, ao lado do blues e do R&B, a "junção dos estilos musicais díspares conhecidos... como 'música clássica'" foi uma das principais influências do heavy metal desde os primeiros dias do gênero. Segundo Walser, "os músicos mais influentes [do estilo] foram guitarristas ou violonistas que estudaram a música clássica. Sua apropriação e adaptação dos modelos clássicos foi a fagulha para o desenvolvimento de um novo tipo de virtuosismo na guitarra e de mudanças na linguagem harmônica e melódica do heavy metal".

Embora diversos músicos de metal citem compositores clássicos como sua fonte de inspiração, o metal e a música clássica têm suas raízes em tradições culturais e práticas diferentes - a música clássica na tradição da música artística, e o metal na tradição da música popular. Como notaram os musicólogos Nicolas Cook e Nicola Dibben, "análises da música popular por vezes também revelam a influência das 'tradições artísticas'. Um exemplo é a associação feita por Walser da música heavy metal com as ideologias e até mesmo com as práticas performáticas do Romantismo do século XIX. No entanto, seria claramente errado alegar que tradições como o blues, rock, heavy metal, rap ou dance music derivam primordialmente da 'música artística'."

TEMÁTICA

O Black Sabbath e as muitas bandas de metal que eles influenciaram concentraram a temática de suas letras "em assuntos soturnos e depressivos, até então nunca abordados em qualquer forma de música popular", de acordo com os acadêmicos David Hatch e Stephen Millward, que tomam como exemplo o álbum Paranoid, de 1970, que "continha canções que lidavam com traumas pessoais - 'Paranoid' e 'Fairies Wear Boots' (que descrevia os lados menos glamurosos do consumo de drogas) - bem como confrontavam questões mais amplas, como a auto-explicativa 'War Pigs' ("porcos de guerra") e 'Hand of Doom'". O holocausto nuclear também foi abordado em canções do metal, como "2 Minutes to Midnight", do Iron Maiden, e "Killer of Giants", de Ozzy Osbourne. A morte é um tema frequente do heavy metal, abordado rotineiramente na letra de bandas tão diferentes quanto Slayer e W.A.S.P. As formas mais extremas do death metal e do grindcore tendem a ter letras agressivas e escatológicas.

Desde as raízes do gênero no blues, o sexo é outro importante tópico das letras do heavy metal - um filão que vai desde as letras sugestivas do Led Zeppelin até as referências mais explícias das bandas de glam e nu metal. Tragédias românticas são um tema corriqueiro do gothic e doom metal, bem como do nu metal, onde a ira e a revolta adolescente é outro tópico central. Canções de heavy metal frequentemente apresentam letras inspiradas pelo bizarro e pelo fantástico, o que lhes dá uma qualidade escapista. As canções do Iron Maiden, por exemplo, inspiravam-se em peças da mitologia, da ficção e da poesia, como "Rime of the Ancient Mariner", baseada no poema homônimo de Samuel Taylor Coleridge. Outros exemplos incluem "The Wizard", do Black Sabbath, "The Conjuring" e "Five Magics", do Megadeth, e "Dreamer Deceiver", do Judas Priest. A partir da década de 1980, com a ascensão do thrash metal e de canções como "...And Justice for All", do Metallica, e "Peace Sells", do Megadeth, mais letras do metal passaram a incluir críticas sociopolíticas. Gêneros como o death metal melódico, o metal progressivo e o black metal costumam explorar temas filosóficos.

O conteúdo temático do heavy metal tem sido por muito tempo alvo de críticas. De acordo com Jon Pareles, "o principal assunto do heavy metal é simples e virtualmente universal. Com grunhidos, gemidos e letras subliterárias, ele celebra... uma festa sem limites... O grosso da música é estilizado e formulista." Diversos críticos de música definiram as letras do metal como juvenis e banais, enquanto outros manifestaram suas objeções ao que viam como a apologia à misoginia e ao ocultismo. Durante os anos 80, a organização americana Parents Music Resource Center enviou uma petição ao Congresso dos Estados Unidos visando regulamentar a indústria da música popular, devido ao que o grupo via como letras questionáveis, especialmente em canções de heavy metal. Em 1990 o Judas Priest foi processado nos Estados Unidos pelos pais de dois rapazes que se suicidaram cinco anos antes, supostamente depois de terem ouvido uma mensagem subliminar (do it, "façam isso") numa canção da banda. Embora o caso tenha atraído muita atenção da mídia, acabou sendo arquivado. Em países predominantemente muçulmanos o heavy metal é denunciado oficialmente como uma ameaça aos valores tradicionais; em países como Marrocos, Egito, Líbano e Malásia foram registrados incidentes de prisões e condenações de músicos e fãs de heavy metal.

ETIMOLOGIA

A origem do termo inglês heavy metal ("metal pesado") num contexto musical é incerta; a frase foi relacionado por séculos com a química e a metalurgia. Um exemplo de um dos primeiros usos da palavra na cultura popular moderna foi feito pelo escritor contracultural William S. Burroughs, que, em seu romance de 1962, The Soft Machine, incluiu um personagem conhecido como "Uranian Willy, the Heavy Metal Kid". Seu romance seguinte, Nova Express, de 1964, desenvolveu o tema, usando heavy metal como uma metáfora para drogas que viciam: "Com suas doenças e drogas orgásmicas e suas formas de vida parasitas e assexuadas - Pessoas de Metal Pesado de Urano, envoltas numa fria névoa azul de notas de dinheiro vaporizadas - e as Pessoas Inseto de Minraud, com a música metal."

O historiador do metal Ian Christe descreveu o que os componentes do termo significavam em "hippiespeak", a "linguagem dos hippies" da época: "heavy", "pesado", seria um sinônimo aproximado de "potente" ou "profundo", e "metal" indicaria um certo tipo de estado de espírito, pesado e opressivo como o metal. A palavra "heavy", neste sentido, era um elemento básico da cultura beatnik e, posteriormente, da gíria usada na contracultura, e referências à "música pesada" ("heavy music") — tipicamente variações mais lentas e mais amplificadas das canções pop tradicionais - já eram comuns em meados da década de 1960. O álbum de estreia do Iron Butterfly, lançado no início de 1968, recebeu o título de Heavy. O primeiro uso do termo heavy metal numa gravação foi a referência a uma motocicleta na canção "Born to Be Wild", da banda Steppenwolf, também lançada naquele ano: "I like smoke and lightning/Heavy metal thunder/Racin' with the wind/And the feelin' that I'm under." Uma alegação posterior, e questionada, sobre a fonte do termo, foi feita por "Chas" Chandler, ex-empresário do Jimi Hendrix Experience; numa entrevista de 1995 ao programa Rock and Roll, da PBS, ele assegurou que heavy metal "era um termo que veio de um artigo do New York Times sobre um show de Jimi Hendrix", onde o jornalista comparou o evento a "ouvir metal pesado caindo do céu." A fonte para esta alegação nunca foi encontrada.

O primeiro uso documentado da expressão para descrever um tipo de rock foi em matérias do crítico musical Mike Saunders. Na edição de 12 de novembro de 1970 da revista Rolling Stone Saunders comentou, a respeito de um álbum lançado no ano anterior pela banda britânica Humble Pie: "Safe As Yesterday Is, seu primeiro lançamento nos EUA, provou que o Humble Pie podia ser tedioso das mais diversas maneiras. Aqui eles se mostravam uma banda de um rock de merda, heavy metal arrastado, barulhento e sem melodia, com as partes altas e barulhentas óbvias demais. Havia umas duas canções boas… e uma pilha monumental de lixo." Ele ainda descreveu o seu álbum mais recente, lançado com o mesmo nome da banda, como "mais da mesma porcaria de metal pesado de 27.ª categoria." Numa crítica do álbum Kingdom Come, de Sir Lord Baltimore, na edição de maio de 1971 da revista Creem, Saunders escreveu: "Sir Lord Baltimore parece ter dominado todos os melhores truques do manual do heavy metal. O crítico Lester Bangs, da Creem, recebeu o crédito pela popularização do termo, através de seus ensaios, escritos no início da década de 1970, sobre bandas como Led Zeppelin e Black Sabbath. Por toda a década, a expressão heavy metal foi usada por alguns críticos como uma forma praticamente automática de se fazer um comentário depreciativo. Em 1979 o popular crítico musical do New York Times, John Rockwell, descreveu o que ele chamou de "heavy-metal rock" como "música brutalmente agressiva tocada principalmente para mentes enevoadas pelas drogas," e, num artigo diferente, como "um exagero cru dos elementos básicos do rock que agrada a adolescentes brancos."

Os termos "heavy metal" e "hard rock" frequentemente foram usados de maneira indiscriminada ao se falar sobre as bandas da década de 1970, um período em que os termos eram, na maior parte dos casos, sinônimos. Por exemplo, a edição de 1983 da Rolling Stone Encyclopedia of Rock & Roll incluiu a seguinte passagem: "conhecido por seu estilo agressivo de hard-rock com base no blues, o Aerosmith era a principal banda americana de heavy metal do meio dos anos 1970."

HISTÓRIA

ANTECEDENTES: FIM DOS ANOS 1950 E MEADOS DA DÉCADA DE 1960


Enquanto o estilo de guitarra típico do heavy metal, construído em torno de riffs e acordes pesados e distorcidos, pode ter suas origens encontradas nos instrumentais do americano Link Wray, no fim da década de 1950, a linhagem direta do gênero se inicia no meio da década seguinte. O blues americano se tornou uma grande influência para os primeiros músicos do gênero na Grã-Bretanha, e bandas como Rolling Stones e The Yardbirds deenvolveram o blues-rock, gravando covers de muitas canções clássicas do blues, frequentemente acelerando seus andamentos. À medida que experimentavam com a música, estas bandas britânicas influenciadas pelo blues - e as bandas americanas que elas influenciavam, por consequência - desenvolveram o que se tornaria posteriormente a marca registrada do heavy metal, em especial o som alto e distorcido da guitarra. O Kinks desempenhou um papel crucial ao popularizar este som em seu hit de 1964, "You Really Got Me."

Uma contribuição significante para este som emergente nas guitarras era a microfonia, fenômeno facilitado por uma nova geração de amplificadores que surgia. Além de Dave Davies, do Kinks, outros guitarristas, como Pete Townshend (The Who) e Jeff Beck (Tridents), experimentavam com a microfonia. Enquanto o estilo de bateria do blues-rock consistia, na maior parte das bandas, de batidas simples, shuffle, em kits pequenos, os bateristas passaram a usar gradualmente técnicas mais vigorosas, complexas e amplificadas, para se equiparar e poder ser ouvido diante do som cada vez mais alto da guitarra. Os vocalistas passaram também a modificar, da mesma maneira, sua técnica, aumentando sua dependência na amplificação, e muitas vezes tornando sua performance mais estilizada e dramática. Em termos de volume, especialmente nas apresentações ao vivo, a postura da banda britânica The Who e sua "parede de Marshalls" foi seminal. Avanços simultâneos na amplificação e na tecnologia de gravação tornaram possível capturar com sucesso em disco o peso deste novo enfoque que surgia.

A combinação do blues-rock com o rock psicodélico formou boa parte da base original do heavy metal. Uma das bandas mais influentes nesta fusão de gêneros foi o power trio Cream, que formou um som característico, pesado e maciço, através de riffs em uníssono tocados pelo guitarrista Eric Clapton e o baixista Jack Bruce, bem como o uso extensivo dos bumbos de Ginger Baker. Seus dois primeiros LPs, Fresh Cream (1966) e Disraeli Gears (1967), são tidos como protótipos essenciais do futuro estilo. O álbum de estreia do Jimi Hendrix Experience, Are You Experienced (1967), também foi extremamente influente. A técnica virtuosística de Hendrix seria emulada por muitos guitarristas do metal, e o single de maior sucesso do álbum, "Purple Haze", é identificado por muitos como o primeiro hit do gênero. As bandas de acid rock, uma vertente do rock psicodélico, ajudaram a definir o heavy metal; e as bandas do gênero que não deixaram de existir acabaram por se tornar bandas de heavy metal, como o Blue Cheer e o Steppenwolf.

ORIGENS

FIM DA DÉCADA DE 1960 E INÍCIO DA DÉCADA DE 1970


Em 1968 o som que se tornaria conhecido como heavy metal começou a coalescer. Em janeiro daquele ano Blue Cheer, uma banda de San Francisco, Califórnia, lançou um cover do clássico de Eddie Cochran, "Summertime Blues", retirado de seu álbum de estreia, Vincebus Eruptum - canção que muitos consideram a primeira gravação legítima de heavy metal. Naquele mesmo mês outra banda americana, Steppenwolf, lançou seu álbum de estreia, que continha o clássico "Born to Be Wild", cuja letra se refere ao termo "heavy metal". Em julho daquele ano duas outras gravações que marcaram época foram lançadas: "Think About It", dos Yardbirds - lado B do último single da banda - com uma performance do guitarrista Jimmy Page que antecipou o estilo de metal que lhe tornaria famoso; e In-A-Gadda-Da-Vida, do Iron Butterfly, com sua faixa-título de 17 minutos, um dos principais concorrentes pelo título de primeiro álbum de heavy metal. Em agosto, a versão single de "Revolution", dos Beatles, com sua bateria e guitarra reverberantes, levou estes novos padrões de distorção a um contexto de alta vendagem.

O Jeff Beck Group, cujo líder havia sido o antecessor de Page nos Yardbirds, lançou seu álbum de estreia naquele mesmo mês; Truth continha alguns dos "ruídos mais derretidos, farpados e absolutamente divertidos de todos os tempos", abrindo caminho para gerações de guitarristas do gênero. Em outubro a nova banda de Page, Led Zeppelin, tocou pela primeira vez ao vivo. Em novembro o Love Sculpture, do guitarrista Dave Edmunds, lançou Blues Helping, onde interprtavam uma versão agressiva e pulsante da "Dança do Sabre", do compositor de música clássica armênio Aram Khachaturian. O chamado Álbum Branco dos Beatles saiu no mesmo mês, e continha "Helter Skelter", uma das canções mais pesadas já lançadas por uma banda até então. A ópera rock S.F. Sorrow, da banda inglesa The Pretty Things, foi lançada em dezembro, e apresentava canções de "proto-heavy metal", como "Old Man Going."

Em janeiro de 1969 o Led Zeppelin lançou o seu álbum homônimo de estreia, que atingiu o 10º lugar na parada de sucessos da revista americana Billboard. Em julho, o Led Zeppelin e um power trio inspirado no Cream, porém com um som mais cru, o Grand Funk Railroad, tocou no Atlanta Pop Festival. Naquele mesmo mês outro trio com raízes no Cream, liderado por Leslie West, lançou Mountain - um álbum repleto de guitarras pesadas de blues-rock, e vocais rugidos. Em agosto o grupo - que a esta altura se chama Mountain - tocou um set de uma hora no Festival de Woodstock. O álbum de estreia do Grand Funk, On Time, também saiu no mesmo mês. No outono o álbum Led Zeppelin II atingiu a primeira posição, e o seu single "Whole Lotta Love" chegou à quarta posição na parada pop da Billboard.

O Led Zeppelin definiu aspectos centrais do gênero que emergia, com o estilo altamente distorcido de guitarra de Page, e os vocais dramáticos e lamuriosos de Robert Plant. Segundo o Allmusic, o Led Zeppelin foi a banda definitiva do gênero, não apenas pela sua interpretação agressiva e pesada do blues, mas também por terem incorporado a mitologia, o misticismo e uma variedade de outros gêneros ao seu som. Ao fazer isso, eles teriam estabelecido o formato dominante do gênero. Outras bandas, com um som de metal mais "puro", mais consistentemente pesado, também se revelariam igualmente importantes na codificação do gênero. Os lançamentos em 1970 do Black Sabbath (Black Sabbath e Paranoid) e Deep Purple (In Rock) foram cruciais neste ponto. O Black Sabbath havia desenvolvido um som particularmente pesado, em parte devido a um acidente industrial que o guitarrista Tony Iommi havia sofrido antes de co-fundar a banda, e feriu sua mão; incapaz de tocar normalmente seu instrumento, Iommi tinha que utilizar afinações mais graves em sua guitarra, para que seus dedos pudessem alcançar as notas desejadas, e usada power chords, que exigiam dedilhados mais simples. O Deep Purple, que havia flutuado entre diversos estilos no seu início, foi levado rumo ao heavy metal, com a entrada, em 1969, do vocalista Ian Gillan e do guitarrista Richie Blackmore. Em 1970 o Black Sabbath e o Deep Purple conseguirem grande sucesso nas paradas britânicas com "Paranoid" e "Black Night", respectivamente. Naquele mesmo ano, três outras bandas britânicas lançaram álbuns de estreia no estilo: Uriah Heep, com Very 'eavy… Very 'umble, UFO, com UFO 1, e Black Widow, com Sacrifice. O Wishbone Ash, embora não fosse comumente identificado como metal, introduziu um estilo duplo de guitarra-solo/guitarra-base que muitas bandas de metal das gerações posteriores adotariam, enquanto a banda Budgie trouxe o novo som do metal para um contexto do power trio. As letras e o imaginário de ocultismo empregados por bandas como Black Sabbath, Uriah Heep e Black Widow se provariam particularmente influentes; o Led Zeppelin também começou a experimentar com estes elementos em seu quarto álbum, lançado em 1971.

No outro lado do Atlântico quem ditava as tendências era o Grand Funk Railroad, "a banda de heavy metal mais bem-sucedida dos Estados Unidos desde 1970 até o seu fim, em 1976, [eles] estableleceram a fórmula de sucesso dos anos 1970: turnês contínuas." Outras bandas identificadas com o metal surgiram nos EUA, como Dust (primeiro LP em 1971), Blue Öyster Cult (1972), e Kiss (1974). Na Alemanha, o Scorpions estreou com Lonesome Crow, em 1972. Richie Blackmore, que havia despontado como um solista virtuoso em Machine Head (1972), do Deep Purple, abandonou o grupo em 1975 para formar o Rainbow. Estas bandas construíram seu público através de turnês constantes, e shows cada vez mais elaborados. Como mencionado anteriormente, no entanto, ainda existe muito debate acerca de quais bandas merecem realmente o rótulo de "heavy metal", e quais se encaixam apenas na categoria do "hard rock". Aqueles que estão mais próximos das raízes do estilo, no blues, ou que dão maior ênfase à melodia, costumam receber a segunda categorização. O AC/DC, que estreou com High Voltage, em 1976, é um exemplo; seu verbete na enciclopédia de 1983 da Rolling Stone se inicia com "a banda de heavy metal australiana AC/DC…" O historiador do rock Clinton Walker escreveu que "chamar o AC/DC de uma banda de heavy metal nos anos 1970 era tão pouco preciso como é hoje em dia.... [Eles] eram uma banda de rock 'n' roll que apenas calhava de ser pesada o bastante para o metal. A questão envolve não apenas definições em constante alteração, porém também uma distinção permanente entre estilo musical e identificação do público; Ian Christe descreve como a banda "se tornou a escada que levou grandes números de fãs do hard rock para a perdição do heavy metal."

Em certos casos, já existe maior concordância. Depois do Black Sabbath, o principal exemplo é a banda britânica Judas Priest, que debutou com Rocka Rolla, em 1974, e viria se tornar uma das bandas mais influentes do gênero. Na descrição de Christie,

a platéia do Black Sabbath ficou… a ver navios, atrás de sons com um impacto similar. No meio da década de 1970, a estética do heavy metal podia ser identificada, como uma criatura mítica, no baixo temperamental e nas guitarras duplas complexas do Thin Lizzy, na teatralidade de Alice Cooper, nas guitarras estridentes e nos vocais exibidos do Queen, e nas questões medievais tonitruantes do Rainbow.... o Judas Priest chegou para unificar e amplificar todas estas características diferentes da paleta de sons do hard rock. Pela primeira vez o heavy metal se tornava um gênero de verdade, por si só.

Embora o Judas Priest não tenha conseguido colocar um álbum no Top 40 dos Estados Unidos até 1980, para muitos ela foi a banda definitiva de heavy metal pós-Sabbath; seu ataque duplo na guitarra, com andamentos rápidos e um som metálico, mais limpo e sem influências do blues, passou a ser uma grande influência nos artistas que se seguiram à banda. Enquanto o heavy metal crescia em popularidade, a maior parte dos críticos não parecia ter se apaixonado pela música; levantaram objeções quanto à adoção que o estilo havia feito dos espetáculos visuais e de outros artifícios comerciais, porém a principal ofensa parecia ser o seu suposto vazio musical, e em suas letras: ao criticar um álbum do Black Sabbath no início da década de 1970, o importante crítico Robert Christgau o descreveu como uma "exploração amoral, tola… enfadonha e decadente".